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Perspectiva de preparação do futuro e investimento inteligente

Segunda-feira, 15.01.18

 

 

Vivemos numa época de transição, e isto também se aplica ao sistema político. Com as actuais tecnologias científicas já não se justifica tantos obstáculos à optimização dos recursos colectivos. E neste momento o sistema político é mais obstáculo do que facilitador.

Os cidadãos não estarão disponíveis para continuar a pedalar em seco para alimentar um Estado lento, pesado e burocrático e uma subserviência a Bruxelas.

Continuarmos a ver o futuro ensombrado pela incapacidade de previsão dos actuais protagonistas políticos não é muito inspirador. Assim como a cultura que representam.

Vê-los juntos ou em alternância, também não me parece entusiasmante. Ambos partilham a prioridade "agradar a Bruxelas", ambos gostam de controlar tudo, ambos agirão com pouca transparência, a teimosia é um traço comum assim como a arrogância, um não é responsável pelas falhas o outro nunca perde eleições (= como um ex-PM que nunca se enganava).

 

A única área que correrá melhor é a ordem pública, a segurança, a prevenção. Para não continuar a revelar fragilidades, o governo estará mais atento e alerta. Dificilmente continuaremos a ouvir uma ministra da Justiça afirmar que a PJ identificou mais perfis de incendiários do que o número de incendiários presos, por exemplo. E na prevenção rodoviária, os pontos serão para valer e haverá cassação de cartas.

O apoio às vítimas, os prejuízos, a reconstrução, será outra prioridade. 

Também o SNS será uma área acarinhada a partir de agora. 

Quanto ao desperdício de dinheiro e de recursos no sistema bancário, essa é uma incógnita. No entanto, o fisco estará muito afinado, resta saber se apenas para os que não lhe podem escapar por não terem dimensão e advogados fiscais. E os recibos verdes continuarão a ver-se aflitos para perceber o "complex" em que os meteram. 

O que fica para trás, como sempre, pela cultura de "bloco central"? Exactamente. A educação, os professores, as escolas, as universidades.

 

E se isto for mesmo assim, não estaremos assim tão mal, pois não? 

Estaremos mesmo mal, é o que ouvimos recentemente a Vitor Bento, que nos devíamos estar a preparar para os desafios futuros, para não ficarmos completamente dependentes de fora, sem produzir. O mesmo não será dizer que é tempo da Economia, e não apenas das Finanças?

 

E nessa perspectiva de preparação do futuro, não são a saúde e a educação áreas fundamentais?

Nessa perspectiva de preparação do futuro, em vez de obrigar os contribuintes a enfiar dinheiro no sistema financeiro que não os reconhece como accionistas, um sistema que irá sofrer grandes abalos e mudanças, porque não incentivar o investimento em empresas produtivas, que os reconheceriam como accionistas?

Os montantes absurdos que este governo já enfiou nos bancos falidos deve ser exigido pelos contribuintes em investimento inteligente, a trazer retorno para a próxima geração, pelo menos.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:44

Double bind é o que está a ser aplicado na Grécia

Quarta-feira, 08.06.16

 

Double bind foi o que primeiro me ocorreu a propósito do filme Baby the rain must fall.

Double bind, uma forma de colocar alguém sem uma alternativa viável. Exactamente o que está a ser aplicado na Grécia.


Aqui também estivemos subjugados ao double bind da austeridade, da ausência de alternativa. A circunstância feliz dos partidos de esquerda ultrapassarem as suas divergências e encontrarem objectivos comuns é que abriu essa prisão.

Espero que também surja uma alternativa para a Grécia, entalada no double bind europeu e na vertigem de auroras douradas.

 

Um povo que aturou placidamente a humilhação da finança. Um povo que escolheu a Europa e o euro mas numa verdadeira cultura europeia. Um povo que recebeu milhares e milhares de refugiados apesar da sua situação precária.

 

 

 

 

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:22

Colaborar, cada um no seu lugar e no seu papel, para que tudo dê certo

Quinta-feira, 17.03.16

 

A vida por vezes surpreende-nos, situações e circunstâncias que não conseguimos explicar. Anos mais tarde lembramos um olhar, uma frase, uma entoação, e a situação adquire um novo sentido e importância.

 

Antes procurava a lógica e o significado de tudo, não descansava enquanto não conseguisse descobrir uma explicação, uma interpretação. Agora é a situação que se revela a pouco e pouco, como um ecrã sensível e interactivo. É assim na vida pessoal, na vida da comunidade mais próxima e nas notícias que chegam diariamente do país e do mundo pelos diversos meios.

 

É por isso que já não consigo ouvir os comentários políticos, por exemplo. A maior parte dessas frases pomposas não faz sentido na nova cultura política que já nos rodeia. E se não valem como interpretação da realidade actual, também não valem como narrativa que se quer substituir à realidade.

É por isso também que já não me interessam as ideologias políticas. O PSD redescobriu a social democracia? Risível. O CDS redescobriu a sua alma democrata cristã? Risível. Até o PAN que está a dar os primeiros passos na experiência dos debates na AR se revela mais credível porque definiu e manteve a sua marca registada. 

 

Quais são agora as nossas prioridades como cidadãos deste país? Colaborar, cada um no seu lugar e no seu papel, para que tudo dê certo. Refiro-me ao orçamento, à economia, ao equilíbrio de poderes social e económico, à fiscalização da actividade financeira. Tudo o que determinará a relação de poder com a CE e o Eurogrupo.

 

Para já, as circunstâncias são-nos favoráveis, as principais instituições da gestão política colectiva, governo e Presidência, revelam a inteligência e a cultura do séc. XXI, da colaboração. 

A nossa auto-estima como país também levou uma refrescadela, o que muito ajuda. Os acontecimentos felizes que para isso contribuíram foram: a visita de Bento XVI em Maio de 2010; o perfil e o papel do Papa Francisco; os resultados das últimas legislativas que permitiram uma nova solução governativa e a candidatura de Marcelo à presidência.

Aproveitemos bem estas circunstâncias de modo a estarmos preparados para lidar com os desafios que valem a pena.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:18

Eleições legislativas: o grupo dos Indecisos

Terça-feira, 29.09.15

Ora aqui está o grupo que vai decidir as próximas legislativas: o grupo dos Indecisos. Segundo uma sondagem recente (ontem) este grupo começou a descer para os 21% (!) e, com eles, a diferença da dupla PSD/CDS em relação ao PS.

 

Mas vejamos agora as vantagens de passar a pertencer a este grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem:

- as emoções estão ao rubro, os "a favor da dupla PSD/CDS" e os "contra a dupla PSD/CDS", a tal ponto que dizer-se do grupo dos Indecisos ou dos que Não Respondem é a posição mais inteligente: não "há pratos a voar lá em casa", como diz o Papa sobre certos dias difíceis nas famílias;

- divertimos-nos com as técnicas de sedução política de personagens que enganaram os cidadãos, assustaram os cidadãos, humilharam os cidadãos, e roubaram os cidadãos no seu presente, no seu futuro, e no futuro dos seus filhos. É até patético ver esta dupla dirigir-se à "classe média" como se ainda existisse uma verdadeira classe média, e não nos tivéssemos transformado num país de enormes diferenças sociais;

- a 5 dias do dia da votação é este grupo de Indecisos ou dos que Não Respondem que garante o suspense: afinal quem é que irá gerir os danos provocados pela dupla que abraçou a troika a tal ponto que "foi além da troika" porque os cidadãos "não são piegas" e, segundo um banqueiro, "aguentam, aguentam"?


É a vez dos cidadãos colocarem a dupla PSD/CDS a suar e a tremer, mantendo o suspense até ao fim. 

É a vez dos cidadãos lhes responderem à humilhação que lhes impuseram, "cortes", "impostos", "sacrifícios", para alimentar a finança e satisfazer "os mercados".

É a vez dos cidadãos utilizarem o pequeno e breve poder que mantêm, o de escolher os próximos gestores políticos.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 



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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 11:11

Mecanismos da Democracia ao dispor dos cidadãos entregues à prepotência e à arbitrariedade do governo

Domingo, 16.06.13

 

São muito poucos os mecanismos democráticos ao dispor dos cidadãos entregues à prepotência e arbitrariedade do governo:

 

- as manifestações organizadas (as de um grupo específico e/ou as mobilizadas pelos sindicatos) e as manifestações inorgânicas (os grupos mais diversos, em idade, profissão, situação, famílias, etc., isto é, quando a sociedade civil sai à rua). As primeiras são as que mais irritam os políticos, as segundas são as que mais preocupam os políticos (a paz e a coesão social, o impacto nas eleições, etc.). O exemplo de uma manifestação com impacto: a de 15 de Setembro do ano passado;

 

- as Petições cujo resultado nacional ainda não consegui avaliar. Penso que depende do número de assinaturas e/ou da influênca das assinaturas e eu acrescentaria a internacionalização da dita (parece que o governo é muito sensível à imagem que o estrangeiro faz de nós). As Petições não têm sido muito utilizadas no país, embora se verifique uma tendência crescente no seu recurso a nível da internet com algum impacto global;

 

- as reuniões de concertação social: aqui estruturadas pelos representantes dos diversos grupos sectoriais e governo. Mas o que vemos? O governo não respeita os acordos, muda as regras do jogo, desvirtua os compromissos, inventa medidas que diz temporárias e que depois quer tornar permanentes, recorre a manobras para cortar de outra forma o que não pode cortar de uma determinada forma, e tudo de surpresa, em conferências de imprensa. A rapidez com que muda de discurso e com que arranja a argumentação para mais um corte aqui e ali apanha todos de surpresa e já ninguém se entende, indo os representantes dos diversos grupos desabafar para a televisão; 

 

- as greves sectoriais e as greves gerais, que são estruturadas pelos sindicatos de grupos específicos (mesmo que a decisão possa surgir independemente da organização sindical). Já aqui defendi que a greve é um instrumento da cultura corporativa: só os grupos de activos podem utilizar esse mecanismo. Geralmente o impacto acaba por incomodar os conterrâneos mais vulneráveis, quantos deles nem sequer têm acesso a esse recurso (inactivos e reformados, por exemplo). Esta minha reserva aplica-se sobretudo a greves sectoriais e não tanto a greves gerais, que já revelam mais do que simples defesa de interesses de um grupo específico. Mas referir que essa minha análise se situou numa época em que a democracia, embora débil, ainda funcionava ou, pelo menos, parecia funcionar. Também nessa altura o trabalho e a sua dignidade não estava ameaçado, como hoje, e todos os dias. 

Hoje o trabalho está na mira da destruição sistemática e maciça do governo-troika: este ano a média diária foi de 1.100 postos de trabalho. A situação é desesperada da parte dos que se sentem na posição do próximo a ser movido para a estatística. Mas a principal razão desse desespero está na forma como essa ameaça foi sendo conduzida: de forma prepotente e arbitrária e nos sectores, isso sim, que mais prejudicam os cidadãos mais vulneráveis. Prepotente: reparem no sistema de despedimento, é colocar uma pessoa numa lista a que chamam de requalificação. Arbitrária: qual reforma da administração pública qual quê. O FMI dá um nº e um prazo, o governo transmite a ordem aos serviços: até 31 de Julho apresentem a lista. Esta forma de cortar sem critério compromete a qualidade e eficiência da prestação de serviços públicos que era precisamente o objectivo principal.

Neste contexto completamente anormal, porque não encaixa numa lógica, numa racionalidade, numa coordenação, na tal reforma administrativa, não há espaço para o normal funcionamento dos mecanismos anteriores. Ao não respeitar acordos, compromissos (a não ser com os credores e com os interesses protegidos, as excepções), ao não respeitar as regras do jogo, as leis do país (exemplos: Constituição, colégio arbitral, isto é, as decisões dos tribunais), verbalizando mesmo que vai mudar a lei, acaba por criar a maior instabilidade e falta de confiança nos políticos, no governo, no futuro do país. A insegurança, o medo, o desânimo, afecta já não apenas os visados mas os restantes cidadãos.

Na actual situação a greve surge como o último recurso de quem foi colocado numa rampa de lançamento para a porta de saída de uma vida activa e na maior precariedade. E isto enquadra-se na destruição sistemática e maciça dos serviços públicos. É disso que se trata. Mas também adquire uma dimensão nacional, de país pressionado e ameaçado, a perder dia a dia a sua autonomia relativa, os seus recursos humanos, os seus recursos naturais e estratégicos, e a economia que é a sua vitalidade, dignidade e a base da democracia.

 

 

Concluindo: o que fazer perante um governo que não age apenas como um intermediário da troika no país, acata todas as avaliações, exacerba algumas medidas, apresenta-as a frio e a seco quase em cima do prazo, de forma avulsa e mal fundamentada, isto é, revelando prepotência e arbitrariedade?

Quando as regras do jogo são completamente adulteradas e desrespeitadas, incluindo a lei básica da organização política e social do país, a Constituição, e as leis que a fazem respeitar nos diversos patamares, o que podem fazer os cidadãos para defender a sua pele e a dos que se seguem nessa rota do desastre económico que nos irá colocar na mesma situação da Grécia?

A sociedade civil está a querer transmitir-lhes que há um limite, mas o governo ainda não percebeu nem quer perceber. Esta incapacidade para perceber os sinais de alarme é que vai prejudicar o país.

 

...

 

Importante acrescentar: e não é que me esqueci do mecanismo democrático básico que garante a representatividade e legitimidade do governo e da distribuição de deputados na Assembleia da República (eleições legislativas), no Parlamento Europeu (europeias) e no poder local (autárquicas), assim como o que garante o equilíbrio institucional e o respeito pela Constituição (presidenciais)? Isso mesmo:

 

- o voto: as eleições legislativas permitem a constituição de um governo e a distribuição dos deputados na Assembleia da República. Este governo e o Presidente estão tranquilos relativamente à representatividade e legitimidade do governo, baseando o seu conforto nos resultados de umas eleições legislativas de 2011, e na coesão social (esta razão foi dada recentemente pelo Presidente); as autárquicas permitem a gestão do poder local; as europeias, a nossa voz no Parlamento Europeu; finalmente, as Presidenciais, o tal equilíbrio de poderes institucionais e a garantia do respeito pela Constituição.

Este mecanismo do voto, sobretudo nas eleições legislativas e nas autárquicas, é aquele que deixa os políticos mais nervosos e percebe-se porquê. É o único em que os cidadãos decidem e intervêm, de facto, numa espécie de procuração dada aos partidos para gerirem os recursos colectivos por 4 anos, tanto a nível de governo e Assembleia da República, como do poder local. Por isso, este poderia ser um mecanismo com alguma eficácia se o seu intervalo não fosse tão longo. Eu explico: 2 anos deste governo já nos colocaram na rota da Grécia: recessão, emigração em massa mesmo de qualificados, desemprego, redução das condições de acesso e da qualidade de prestação de serviços públicos, pobreza, falta de confiança generalizada, ausência de perspectivas de futuro, etc. Portanto, em 2 anos este governo já provocou mais danos no país do que seria expectável mesmo pelo mais pessimista de nós. O limite já foi atingido, só eles não perceberam, Presidente incluído. Quanto às eleições autárquicas, e ainda a 3 meses da data de conveniência para o governo, 29 de Setembro, já se notam movimentações que sugerem uma campanha eleitoral antecipada. O governo, sem um debate público sério e alargado à sociedade civil, resolveu manter o nº de câmaras municipais e fechar diversas juntas de freguesia, optando aqui claramente por manter o seu poder local dos interesses instalados em detrimento da proximidade e do papel estruturante das juntas de freguesia. Pois bem, quanto a mim não participarei nessa estrutura e organização do poder local, que considero abusiva e desequilibrada. Não me deslocarei sequer à mesa de voto.   

Quanto às europeias: embora tenham um peso mais simbólico, ainda assim podem ser estratégicas, dependendo da voz que queremos ter no Parlamento Europeu. Embora à distância de quase 1 ano, já fiz a minha escolha há muito e ainda não me arrependi.

Finalmente, as Presidenciais: fundamentais para o equilíbrio de poderes, no controle de desvios à Democracia e no respeito pela Constituição, condição de estabilidade também, de avisos à gestão, representação mais elevada dos valores colectivos e das prioridades de um país. O que vemos actualmente é que a estabilidade não está garantida, a confiança não está garantida, a tal coesão social de que fala o Presidente perdeu-se, assim como a paciência dos cidadãos perante uma gestão prepotente e arbitrária, desigual e desequilibrada, com cortes sempre nos mesmos e excepções protegidas e operações pouco claras como a privatização de recursos estratégicos com irregularidades várias. Quem representa afinal o governo? Não são os cidadãos em geral, pois já lhes destruiu o trabalho, a qualidade de vida, a estabilidade das famílias, a protecção em condições de vulnerabilidade, o acesso e a qualidade de serviços públicos, a confiança nos políticos em geral, o ânimo e a saúde mental, uma perspectiva de futuro. E nesse mundo paralelo das excepções (banca, grandes grupos económicos e financeiros, as transacções e acordos de gabinetes, autarquias, governos regionais, institutos, fundações, profissionais liberais e a fiscalidade criativa, mas há muitas mais), tudo a decorrer normalmente. Para eles não há cortes, nem limites, nem ameaças de exclusão. Quem representa afinal o governo?

 

 

Conclusão sobre mecanismos democráticos eficazes: espero ter referido todos os mecanismos de defesa dos cidadãos perante a prepotência e arbitrariedade do governo. Para já, o voto, que poderia ser o mais eficaz, vê o seu impacto diluído por 2 factores: a) o intervalo de 4 anos hoje é suficiente para destruir um país, a sua economia, o seu ânimo; b) pelo que temos observado da sua actuação, vemos com alguma dificuldade a capacidade de regeneração cultural dos partidos que trouxeram o país até aqui e que são os mesmos que se apresentam a votos.

A seguir, há outro impacto possível: a imagem do país lá fora é um nervo sensível para este governo. Está aí uma janela de oportunidade, e a ideia dos cidadãos de Istambul das manifestações silenciosas, como estátuas, em locais simbólicos do colectivo, é verdadeiramente criativa. Isto filmado e exportado teria um impacto significativo e interessante na imagem externa do país. Com a ajuda de cartazes em inglês seria perfeito.

As Petições só se forem internacionalizadas, mais ou menos como a Petição da televisão grega. Foi muito concorrida.

E quando as reuniões de concertação social falharem, digamos quando as negociações se revelarem infrutíferas, então, como último recurso, a greve, isto é, quando não se vislumbrar outro mecanismo e/ou quando a situação envolver mais do que o grupo, mas o colectivo e o bem comum.

 

 

 

Actualização deste post - 2017.06.11:

Para os Visitantes que escolheram este post como o mais visitado de sempre d' As Coisas Essenciais: a má notícia é que o seu conteúdo está claramente desactualizado e a boa notícia é que o seu conteúdo está felizmente desactualizado.

A sua actualização, e lembro que já passaram 4 anos, encontra-se n' A Vida na Terra, nos posts sobre política e nas palavras-chave: democraciaequilíbrioeconomia; desigualdades sociais.

Será interessante acompanhar a inovação cultural na política em França.

Como exemplo de um sistema político obsoleto, inoperante e ineficaz, o caso da América.

Como os Visitantes vêm essencialmente do Brasil e de Portugal, ficam os links :)   

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:45

Mulheres na política activa e a necessidade de actualizar a percepção da realidade

Terça-feira, 14.05.13


Hoje trago mais um exemplo de uma mulher na política activa: Elizabeth Warren, senadora dos States.

Quando destaco o papel das mulheres na política activa não é no sentido de uma competição com os homens na política activa, mas para valorizar o seu lugar e o seu papel nas decisões que têm uma influência enorme na vida das pessoas.

Como neste caso desta senadora que exprime o que muitos homens não têm interesse nem coragem de referir: Wall Street continua a ser favorecida relativamente à vida dos cidadãos que trabalham, neste caso específico, ao futuro dos jovens estudantes. A finança continua a sobrepor-se à economia.

Aliás, esta rendição governamental ao poder da finança já tinha sido percebida quando se correu a salvar os dinossauros da falência sem lhes ser exigido nada em troca. Quem acabou por ficar a pagar foi a economia e o trabalho.


Matt Damon já tinha revelado o seu descontentamento com esta faceta oculta de Obama, que tanto decepcionou quem nele esperou a tal mudança (we can change... we can change... we can change) para ficar tudo na mesma. As suas opiniões levaram-no mesmo a ser ridicularizado pelo próprio Obama. Ridicularizar, humilhar em público é, aliás, uma das estratégias da linguagem do poder. Em vez de responder directamente ao que está em causa, atira-se ao lado.


É interessante também acompanhar o que alguns analistas têm verificado: os democratas no poder conseguem ser piores para a economia e o trabalho do que os republicanos, no sentido da rendição governamental a Wall Street. Alguém chegou mesmo a dizer que há reformas que só com o sorriso dos democratas conseguem ser aceites, isto é, nunca passariam com o discurso seco dos republicanos.

Aqui sorriso = capital que ainda resta da credibilidade, o que ainda é percebido como sendo a cultura de base dos democratas, isto é, defender as pessoas, o trabalho, as minorias, os mais frágeis da sociedade, perante os grandes grupos económicos e financeiros. Ironicamente, dizem os especialistas que foi com Bill Clinton que se acelerou a desregulamentação do mercado financeiro: Wall Street tomou conta.


Cá está um dos grandes enganos da política: a percepção da realidade terá de ser sempre actualizada com a observação da acção política concreta.


 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:23

A responsabilidade da possibilidade de um "novo rumo" para o país

Segunda-feira, 29.04.13

 

Gostaria de analisar alguns acontecimentos nacionais recentes em termos políticos (as decisões, a intervenção, o poder), económicos (a vitalidade, a substância, a base) e sociais (os grupos, as comunidades, os cidadãos).

 

Com0 vimos, as comemorações do 25 de Abril revelaram algumas fragilidades do sistema e uma nova fronteira cultural: os que estão do lado da lógica da austeridade (do lado financeiro, do lado dos mais fortes, cultura corporativa) e os que estão do lado da negociação (do lado da economia, do lado dos mais fracos, cultura da colaboração).

Esta fronteira não se pode definir apenas por partidos de direita ou de esquerda, essa já é uma divisão artificial, é essencialmente uma questão cultural mais profunda, tem a ver com a acção de cada um. É pela acção (o que faz, o seu exemplo) que cada um reflecte os seus valores e princípios.  

Na cultura corporativa (linguagem do poder), por exemplo, não temos apenas os que defendem os seus privilégios e excepções, temos igualmente os que acreditam que só alguns podem ter acesso à qualidade de vida e querem pertencer a esse grupo (conformismo).

Na cultura da colaboração, do mesmo modo, podemos vir a encontrar pessoas em lugares de responsabilidade que perceberam que só com a mobilização de muitos, cada um no seu papel, com o seu talento e criatividade, temos a possibilidade da animação da economia (a vitalidade de um país), a redução da dívida pública e a autonomia.

 

 

E agora o congresso do PS, que me surpreendeu pelo profissionalismo:

 

Gosto de ver um trabalho bem feito, do rigor, da dedicação. E foi o que vi neste congresso do PS. Um espaço simples e arejado, com as cores certas, a música de fundo certa, as bandeiras do país em vez das bandeiras partidárias. A expressão "um novo rumo" sintetiza todo um projecto. Outra expressão "as pessoas primeiro". Vemos já aqui, antes mesmo dos oradores subirem ao palco, uma mensagem clara: trata-se do país, das pessoas concretas. Este congresso é para o país e para as pessoas.

 

- Os apoios internacionais são fundamentais para se validar um projecto, para ser percebido como viável, para ser apresentado como uma nova  onda europeia. Isso foi conseguido.

- A afirmação de uma equipa coesa ficou, para já, conseguida. Mas esta é, como veremos, uma das condições mais delicadas. É assim que se garante a coerência e a consistência de um projecto. 

- Uma mensagem política implica autenticidade (verdade) e responsabilidade (realidade). Os dois discursos do secretário-geral, baseados na observação da realidade, nos resultados da lógica da austeridade, e propondo iniciativas viáveis, foram adequados. E sobretudo o tom de entusiasmo, afectivo, da abrangência e da tolerância. Passou a mensagem de estar atento, de acolhimento e de um caminho possível se todos quiserem: "um novo rumo" e "as pessoas primeiro".

- "Inteligência" foi uma palavra utilizada e muito bem aplicada. Raramente os políticos a utilizam para fundamentar as suas decisões, assim como a humildade de avaliar os resultados de algumas decisões e mudar.

- A insistência na economia e no trabalho, "as pessoas primeiro", a vitalidade de um país e a sua viabilidade. O valor do trabalho na prioridade emprego, emprego, emprego. As empresas como os motores da economia, as áreas produtivas.

- A coesão territorial também muito importante. A proximidade dos serviços aos cidadãos.

- Salvar o núcleo do Estado Social: a saúde e a educação. Não destruir o que de melhor se construiu. Melhorar a sua eficiência.

- A abertura à colaboração de todos os enquadramentos políticos, de todos os grupos da concertação social, de todas as associações e movimentos (a tal colaboração políticos - sociedade civil). E sim, concordo que essa abertura se mantenha mesmo que venham a conseguir uma maioria absoluta. 

- Outro aspecto fundamental para credibilizar os políticos e a representação política partidária: os políticos como exemplo cívico, de uma democracia de qualidade.

- Também o respeito institucional, o respeito pelos órgãos de soberania, mesmo que se discorde das suas decsões.

Estava lá tudo, sem dúvida.

 

 

Em relação à coesão interna:  esta é a parte mais delicada como disse atrás, e a mais importante, porque é a base da possibilidade da concretização de todo o projecto que já se pôs em movimento. A equipa une-se desta vez à volta de um desafio para o país, de um projecto maior do que qualquer grupo partidário, e já não (como antes) à volta de um líder político, de uma personalidade (culto da figura do herói, como o ex-PM). Alguns egos políticos parecem ainda não ter interiorizado a cultura da colaboração que se quer iniciar. A tentação de emergirem de novo, de insistirem nos velhos hábitos (agressividade de discurso contra o governo ou o PR, afirmação competitiva face a outros partidos), pode estragar a mensagem que se quer transmitir para mobilizar todos e cada um, e acabar por boicotar esse projecto.

 

 

Espero que esta equipa tenha bem consciente a responsabilidade de ter criado a expectativa da possibilidade de "um novo rumo" para o país, nas pessoas que têm sido massacradas com mais cortes previstos e que têm vivido estes dois últimos anos a angústia de serem os próximos a ficar sem trabalho.

Esta responsabilidade é enorme, exige o envolvimento de toda a equipa e dos que se juntarem a essa onda, diariamente.

Já vimos como muitos projectos promissores terminam por nos decepcionar devido à cultura de base dos seus elementos e à atracção de oportunismos vários, sempre que surge a vitalidade de um trabalho bem feito e da dedicação de alguns.

 

Desejar-lhes boa sorte é tudo o que posso dizer. Apreciei o seu trabalho, conseguiram surpreender-me e isso não é fácil: já cá ando há muito tempo a observar e a registar, e sinceramente, apenas fui permeável às mensagens políticas de Sá Carneiro e, muitos anos mais tarde, dos Estados Gerais de Guterres, da política de verdade de Manuela Ferreira Leite e, mais recentemente, de Este é o momento de Paulo Portas. Já vimos que todos eles duraram muito pouco, engolidos por outras agendas políticas dominantes.

Hoje só um projecto abrangente que mobilize a sociedade civil pode lidar com os desafios que a actual lógica dominante na Europa e no mundo financeiro nos quer impor.

 

 

Quanto à variável Europa, inserida nos discursos e que não depende de nós (embora uma onda de vários países já possa contar), considero fundamental - e já que o Presidente resolveu falar do pós-troika - que, além de se fazer a ginástica possível com os constrangimentos da dívida e da moeda única, se comece a preparar uma possível saída do euro. As duas hipóteses estão já a 50-50.

 

Falar de federalismo europeu é necessário para não assustar alguns cá dentro e lá fora, mas... cá para nós (e poucos Viajantes passam neste cantinho), isso já não é possível.

Depois dos cidadãos europeus, sobretudo os do sul e do sudeste, terem percebido o que os gestores do poder político e financeiro e alguns cidadãos de países do norte estão dispostos a fazê-los penar (sem casa, ausência de cuidados de saúde, sem acesso à educação, fome), acham mesmo que embarcam nessa armadilha? Acham mesmo que depois desta violência, porque há muitas formas de violência, os cidadãos embarcam em mais um projecto maníaco e perverso como esse?

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:12

"Desenvolvimento local, caridade global" (XXVII Encontro da Pastoral Social)

Quarta-feira, 14.09.11

 

É com este tema "Desenvolvimento local, caridade global", que abriu ontem, em Fátima, o XXVII Encontro da Pastoral Social. É a fórmula adequada para o desafio actual: sociedade e economia, respeitando a vida e a dignidade. 

Refiro-me a esta fórmula porque é inovadora, traduz a realidade do séc. XXI, a ideia fundamental de uma economia global em que tudo está em comunicação e inter-relação, o micro e o macro.

Nesta perspectiva de um mundo globalizado, a Igreja tem consciência da escolha que está implícita: a continuação de um caminho destrutivo que promove fracturas e desequilíbrios entre fortes e fracos, entre ricos e pobres, e um caminho que respeita a vida e a dignidade de cada um, e de todos, e que implica ousadia, coragem, criatividade, inovação.

O primeiro caminho é o que vemos actualmente na gestão política, no limite é um caminho suicidário, pois não se pode subsistir sobre ruínas e lixo. Mas ainda é esse o caminho dominante, obedecendo a uma lógica que se baseia na ideia de escassez, em que a riqueza que se produz simplesmente não dá para todos. Esta é uma visão redutora da economia.

O desafio que conta é outro: o que mantém a escassez, o que impede a economia de respirar, de mexer, de se movimentar? A começar, esta perspectiva redutora de economia em que só alguns podem ter acesso à sua fonte porque se pode esgotar.

A economia, vista como fonte de vida, um movimento constante, que corre livremente e livremente se movimenta, em trocas de bens e serviços, nunca teve tanta possibilidade de se concretizar. É essa a perspectiva da fórmula: "desenvolvimento local, caridade global". Estão inter-ligados, indissociáveis. É a lógica da vida, da criatividade e da inovação, da dignidade e da autonomia. É uma lógica que contraria a perspectiva de economia redutora, que se baseia na escassez e, no limite, na destruição e na morte (fome, conflitos, guerras).

Sim, é verdade, ando a ler Alvin e Heidi Toffler, "A Revolução da Riqueza - como será criada e como alterará as nossas vidas". Mas não se trata de uma leitura sem filtros. É a perspectiva de economia que me parece aproximar-se mais da nossa realidade actual. Aliás, Alvin Toffler previu muitas das alterações recentes tecnológicas, culturais e sociológicas, que afectaram profundamente a economia. E que a alteraram irreversivelmente, de natureza e dimensão. Uma economia que se baseia cada vez mais em informação e conhecimento, em inovação e criatividade, e que implica rapidez, flexibilidade, fluidez, comunicação, inter-relação.



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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:29

"E ninguém se revolta com isto?" (Bagão Félix, sobre o PEC)

Quinta-feira, 18.03.10

 

Ontem ainda consegui assistir aos resumos do debate na AR sobre o PEC, a constituição de uma comissão de inquérito e as trocas acesas entre Marques Guedes e José Lello. E consegui ainda perceber, numa notícia de um dos telejornais, que surgiram problemas nas negociações dos sindicatos dos professores com a ministra da Educação. E ainda ouvi Carvalho da Silva sobre o PEC. Que o povo se iria mobilizar. Mas desta vez não me soou a PREC, apenas me lembrei do que Medina Carreira anda a dizer há 2 ou 3 anos: as pessoas vão-se revoltar perante estas enormes diferenças sociais.

 

Em relação ao debate na AR: sobre o PEC, esse estado novo reeditado, irei falar a seguir, sobre a comissão de inquérito apenas dizer que é uma das funções de um parlamento numa democracia. E sobre a divergência entre os dois deputados: o PS, à falta de argumentos, quer colar o PSD à falta de liberdade de expressão interna. É risível. O PSD é o partido que mais pratica a liberdade de expressão. A norma estatutária que tem dado tanto alarido dirige-se apenas aos ilustres que se põem a criticar as orientações do próprio partido nas televisões, em vez de o fazer dentro do partido, como aliás deve ser.

Assim, José Lello teve de se confrontar com a sua contradição, pois referiu, num debate televisivo, que Manuel Alegre tinha falta de carácter. E porquê? Porque se distanciou uma ou duas vezes da orientação oficial do PS. Resultado: José Lello ficou vermelho e teve de engolir a verdade sobre a magnífica liberdade de expressão dentro do PS. 

Mas mesmo na discussão sobre o PEC e sobre a constituição da comissão de inquérito, a argumentação do PS baseou-se no seguinte: trata-se de uma perseguição ao PM e o PSD sofre de asfixia democrática. É esta a argumentação do PS, nada mais.

 

Depois destes resumos, passei à Sic Notícias e ainda vi e ouvi o final da entrevista de Mário Crespo a Bagão Félix. O que lamentei não ter conseguido apanhar toda a entrevista...

Foi reconfortante ouvi-lo, porque fora Medina Carreira e uma ou outra voz mais lúcida, ninguém fala assim no país.

Consegui registar esta frase sobre o PEC, aí vai:

Este PEC é muito presente nos impostos, vago na despesa, omisso na poupança e ausente na economia.

Isto diz tudo. Mas há mais:

O PEC é contra a família. Bagão Félix explica que o PEC trata de forma igual famílias com muitos filhos e as restantes famílias.

Em relação aos reformados: Então os desgraçados com as pensões mais baixas, de 187 euros, vão ver as suas pensões congeladas até 2013?

O país precisa de um reforço de decência. Há muita falta de decência no nosso país.

É um Bagão Félix perplexo e emocionado que pergunta quase no final: 

E ninguém se revolta com isto?

Onde está a Igreja? Está anestesiada? No meu tempo de ministro e no tempo de Guterres, ainda saíam umas Notas Pastorais...

 

Com estas frases registadas nos neurónios, passei para as únicas séries televisivas que acompanho, Life on Mars e Lie to me, que preenchem actualmente o meu serão das 4ªs feiras.

No final, ainda consegui ouvir um Manuel Villaverde Cabral muito inflamado nos segundos finais do programa Roda Livre da TVI 24: Não é certo que quem romper com esta paz podre vá ser penalizado... penso que se referiu ao Presidente, porque falou em reeleição.

Porque é que será que juntaram todos os programas interessantes nas 4ªs feiras à noite? A ver se consigo ver a repetição do Roda Livre na TVI 24 às 13 e pouco. E a ver se voltam a passar na SIC excertos da entrevista a Bagão Félix.

 

Sim, este é o estado novo reeditado. Bem pior do que na primavera marcelista em que a Igreja tinha uma voz pelos mais desprotegidos da comunidade. E as elites culturais tinham um papel muito significativo. Nunca aliás houve tanta energia vital, tanta criatividade, tanto entusiasmo, tanta esperança... Talvez não seja por acaso que os jovens estão a recuperar Ary dos Santos.

Quanto ao poeta da Trova do Vento Que Passa... que me levou a votar em 2006, numa recaída patética na nostalgia de um tempo que passou para sempre (os trovadores de Coimbra dos anos 70), já não convence ninguém. Essa Trova é como o PS e o socialismo: um equívoco.

 

 

 

Dois dias depois: Quanto à Igreja, seria injusto não referir aqui as vozes dessa igreja viva, essa luz acesa, de D. Manuel Martins, D. Januário Torgal Ferreira e D. Carlos Azevedo. Haverá outras vozes certamente, mas estas foram as que eu ouvi.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:48








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